“Construção”, de Chico Buarque, é considerada a maior música brasileira de todos os tempos[1]. O operário sobe ao andaime “como se fosse máquina”, ergue paredes, e então tropeça, flutua e “se acaba no chão feito um pacote flácido”. Sua morte? Apenas “atrapalha o tráfego”. Que cenário assustador.
Quantas vezes nos tornamos máquinas, prontas apenas para produzir? Esquecemos que somos imago Dei, portadores da imagem divina.
Sofremos os efeitos da Queda também no trabalho. Buscamos eficiência, criamos autossuficiência falsa, olhos embotados para Deus. Acumulamos o que nem conseguimos gastar, ocupados demais para perceber. Que coisa, não? O problema não é o trabalho, mas trabalhar sem Deus.
A canção termina com amarga ironia: “pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague”. Eis a falsa redenção, a morte como libertação. Que engano! Sem Cristo, não há paz, apenas juízo eterno (Hb 9.27). Nele, não somos pacotes descartáveis, mas feitura de Deus para boas obras (Ef 2.10).
[1] Rolling Stone Brasil, As 100 Maiores Músicas Brasileiras