24. Deus conosco em uma nova terra: “O tecido conjuntivo da aliança: Honra ao Senhor” (Dt 5.6-15) 6 Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei do Egito, da casa da servidão. 7 Não terás outros deuses diante de mim. 8 Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; 9 não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 11 Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. 12 Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor, teu Deus. 13 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. 14 Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; 15 porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado. Deuteronômio 5.6-15.
Sermão do Pastor Misael Batista do Nascimento. Pregado na Igreja Presbiteriana de São José do Rio Preto, no culto da noite, com Ceia do Senhor, em 01/02/2026.
Introdução
Como é gostoso, no dia do aniversário, receber uma mensagem que diz: “Eu me lembrei de você hoje. Tenha um dia abençoado. Parabéns para você”. Ser lembrado e considerado. Lembrar-se assim de alguém e expressar afeto a esta pessoa informa sobre nosso amor, respeito e consideração por ela. Em amizades e casamentos, alianças que duram são cheias destas demonstrações de apreço.
Logo depois de chamar a atenção de Israel para a atualidade da aliança, Moisés reafirma os dez mandamentos como estipulações pactuais.[1]
A primeira versão destes mandamentos aparece em Êxodo 20.1-17. Eles são também chamados de “as palavras da aliança, as dez palavras”, em Êxodo 34.28. A tradução grega da expressão (dekalogos), deu origem ao termo “Decálogo”.[2]
De modo geral, os estudiosos dividem os mandamentos em duas partes, os quatro iniciais apresentam os deveres para com Deus, os seis finais, os deveres para com o próximo.[3] É assim que eles serão abordados neste e no próximo sermão.[4]
Ao introduzir o mandamentos aqui, Moisés prepara o nosso coração para um tocante chamado ao amor pactual, que ele apresentará em seguida (em Dt 6.5). Moisés entende que Deus deseja ser lembrado e considerado. De certo modo, ele antecipa o que é expresso pelo poeta cristão no hino Louvor ao Deus soberano (NC nº 16), que começa assim:
Louvai a Deus, soberano Senhor do que é feito.
Louvai-o, sim, de vossa alma, tesouro perfeito!
A Deus cantai e, com fervor, tributai
Profundo amor e respeito.[5]
Os suseranos exigiam tributo nas alianças antigas, mas o único tributo que Deus exige de nós é “profundo amor e respeito”. A honra ou respeito ao Senhor integra o tecido conjuntivo da aliança,[6] quer dizer:
A aliança requer que Deus seja honrado.
E Moisés nos mostra como fazer isso, ou seja:
[1] Nós honramos a Deus admitindo-o como Redentor (v. 6).
[2] Nós honramos a Deus com devoção completa (v. 7-11).
[3] Nós honramos a Deus submetendo a ele nossa agenda (v. 12-15).
Vejamos, em primeiro lugar, que…
I. Nós honramos a Deus admitindo-o como Redentor
É sobre isso que fala o v. 6:
Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei do Egito, da casa da servidão.
O nome Senhor, na Bíblia hebraica, informa que trata-se do Deus EU SOU, revelado a Moisés em Êxodo 3.14: “Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros”. Quem promulga os mandamentos é o Deus da aliança, vivo e pessoal “o Senhor, teu Deus”. Ele é ainda o Deus libertador — “que te tirei do Egito, da casa da servidão”. Benítez entende que esta frase “talvez seja a mais importante do credo israelita no Antigo Testamento”.[7]
Deus viu a angústia e ouviu o clamor de um povo escravo. Deus desceu do céu para realizar salvação poderosa e suficiente (Êx 3.7-9).
A nova geração de israelitas deve compreender isso: O Senhor Deus, que os convida a caminhar com ele em aliança, é o Redentor.
A aliança requer que Deus seja honrado.
Nós honramos a Deus admitindo-o como Redentor.
Mas não apenas isso. Em segundo lugar…
II. Nós honramos a Deus com devoção completa
É o que depreende-se dos dois primeiros mandamentos.
7 Não terás outros deuses diante de mim.
8 Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; 9 não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
Os dois primeiros mandamentos coíbem a idolatria, tocando na inclinação da imaginação humana, de fabricar deuses para si.
A pergunta 95 do Catecismo de Heidelberg — “O que é idolatria?” — encontra a seguinte resposta: “Idolatria é inventar ou ter alguma coisa em que se deposite confiança, em lugar ou ao lado do único e verdadeiro Deus que se revelou em sua Palavra”.[8]
A fim de resguardar Israel da prática dominante dos povos de Canaã, nos v. 7-9a, Deus proíbe a fabricação de formas — “imagens de escultura”— representativas da divindade, reforçando o que Moisés disse em Deuteronômio 4.15-20.[9]
A proibição aqui é absoluta e a desobediência a este mandamento implica infidelidade pactual com impacto geracional, como lemos nos v. 9b-10:
9b […] porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
Deus não está falando aqui sobre maldição hereditária, como sugerem alguns. Ele informa que a devoção idolátrica dos pais afeta os filhos. É importante romper com a idolatria e devotar-se completamente a Deus. Tem de ser assim porque:
A aliança requer que Deus seja honrado.
Como sugere um servo de Deus:
A grande tentação de Israel não era separar-se totalmente do Senhor, mas adorá-lo juntamente com outros deuses; ou seja, adotar o sincretismo. Israel fez isso muitas vezes. Nessa aliança, adorar o Senhor e também a outros deuses equivale a afastar-se totalmente do Senhor.[10]
E a devoção completa a Deus se expressa também em nosso falar. Daí o terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (v. 11). O nome de Deus expressa o seu próprio caráter.[11] Não pode ser banalizado, usado de qualquer maneira. Retornando ao CH (pergunta 99):
Não devemos blasfemar ou profanar o santo nome de Deus por maldições, ou juramentos falsos, nem por juramentos desnecessários. Também não devemos tomar parte em pecados tão horríveis, ficando calados quando os ouvimos. Em resumo, devemos usar o santo nome de Deus somente com temor e reverência, a fim de que ele, por nós, seja devidamente confessado, invocado e glorificado por todas as nossas palavras e obras.[12]
Deve ser assim porque:
A aliança requer que Deus seja honrado.
Nós honramos a Deus com devoção completa.
Em terceiro lugar…
III. Nós honramos a Deus submetendo a ele nossa agenda
Conforme lemos nos v. 11-15:
12 Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor, teu Deus. 13 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. 14 Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; 15 porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado.
O sábado (que quer dizer “descanso”)[13] deve ser “guardado” ou “observado”. Para isso, ele precisa ser “santificado” (v. 12) — separado dos demais. Isso não é opcional. Deus ordena que façamos assim: “como te ordenou o Senhor, teu Deus” (ainda no v. 12).
A maneira de implementar a instrução consta nos v. 13-14. Seis dias de trabalho são intercalados com um dia para descanso. Este dia não pertence a nós, e sim a Deus, pois é “o sábado do Senhor, teu Deus” (v. 13-14a). Neste dia, “não farás nenhum trabalho” (v. 14b). Aqui vale ressaltar que o desfrute de um dia de descanso semanal, tão valorizado pelos movimentos trabalhistas, é ancorado na tradição judaico-cristã.
A prática deste mandamento beneficia e dá testemunho da aliança para os escravos de Israel (v. 14b-15) e é digno de nota que estes versículos modificam um detalhe da primeira versão dos mandamentos. Em Êxodo 20.11, nós devemos descansar porque Deus descansou, ou seja, é preciso replicar o padrão da criação. Em Deuteronômio 5.15, nós descansamos porque fomos libertos do cativeiro do Egito, ou seja, o triunfo de Deus assegura descanso aos eleitos.[14]
Aqui também insere-se uma compreensão importante, de que a redenção alcança nossa agenda e modifica nossa noção e uso do tempo e da vida. Nós não somos donos absolutos de nossa vida, nem de nosso tempo.
Há um sentido em que sim, a vida é nossa e sim, devemos buscar gerir o tempo. Isso deve ser feito aceitando que Deus é dono de nossa vida e tempo. Ele informa sobre quem somos e regulamenta o que fazemos na vida. A vida e o tempo não pertencem a nós e sim a Deus. É por esta razão que encontramos em Eclesiastes 3.1, “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”.
Deus quer que o consideremos quando planejamos o uso do tempo. Na cultura deste mundo, “tempo é dinheiro”. Nos termos da Escritura, “tempo é dádiva de Deus” e deve ser usado de acordo com sua vontade. Deus quer que submetamos a ele nossas atividades e compromissos e deve ser assim porque:
A aliança requer que Deus seja honrado.
Nós honramos a Deus submetendo a ele nossa agenda.
Falando em agenda, é hora de começar a concluir…
Conclusão
Recapitulando, em Deuteronômio 5.6-15, aprendemos que o tecido conjuntivo da aliança é constituído, primeiramente, de honra ao Senhor. E que [1] nós honramos a Deus admitindo-o como Redentor, [2] com devoção completa e [3] submetendo a ele nossa agenda.
Moisés enfatiza o chamado para que honremos ao Senhor antes de nos convocar a amá-lo (em 6.5). Isso é assim porque nós só amamos de fato, as pessoas a quem honramos.
A aliança requer que Deus seja honrado.
[1] Nós temos de honrar a Deus admitindo-o como Redentor. Não há nada que honre mais a Deus do que quando o pecador se assume como tal em sua presença e, com arrependimento e fé sincera, acolhe Jesus como Senhor e salvador da sua vida. Nada honra mais o Senhor do que deixarmos de lado nossa justiça própria e os nossos pecados, declarando: “Eu sou do Senhor; eu preciso do Senhor. Eu sou pobre e necessitado. Olhe para mim, visite minha vida com compaixão e salvação”.
Deus nos tira do Egito. Ele é o Deus da redenção. Ele não é um redentor e sim, o Redentor, como bem descreve Isaías 43.11: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador”. Nós somos inclinados a evitar esta ideia. Damos as costas a nosso criador. Fechamos os ouvidos aos apelos do evangelho. Ridicularizamos a fé cristã. Nos apegamos a crenças e sistemas religiosos centrados em justiça própria. Ou nos declaramos ateus. Ou nos apresentamos como agnósticos.
É interessante que a redenção, mencionada no v. 6, aparece novamente no v. 15. Nós descansamos depois de Deus nos tirar do Egito. Como explica Kline:
Em consonância com a interpretação deuteronômica do sábado em termos do progresso do propósito redentor de Deus, está a orientação do Novo Testamento do sábado para o triunfo da ressurreição do Salvador, pelo qual o seu povo redimido alcança com ele o descanso eterno.[15]
Em Cristo nós encontramos o verdadeiro descanso sabático. Quem vai até Jesus “acha descanso” (Mt 11.29; cf. Sl 23.2). Ele assegura descanso espiritual e emocional para os que são por ele libertos da escravidão (Jo 8.36). No fim, os que confiam nele desfrutarão de descanso eterno (Ap 14.13). Daí a declaração do autor de Hebreus: “nós, porém, que cremos, entramos no descanso” (Hb 4.3a).
Por conta de nossa angústia e escravidão, Jesus desceu do céu para realizar salvação poderosa e suficiente. Somente Cristo quebra as algemas do pecado; somente Jesus morre por nós a fim de livrar-nos da morte eterna; somente Jesus vence Satanás no deserto, na cruz e na ressurreição, e deste modo nos toma em seus braços e guarda nossa vida como bom Pastor (Jo 10.11).
Sendo assim, chega de teimar; chega de negar. Nós precisamos admitir que somos do Senhor, que é o Senhor quem nos tira do Egito e somente ele nos resgata da casa da servidão. Isso glorifica o Senhor. A aliança requer que Deus seja honrado.
[2] Admitindo Deus como nosso Redentor, o passo seguinte é nos devotar a ele completamente. Não apenas temos de deixar os ídolos para trás; é preciso arrancá-los de nossa mente e coração. Dediquemos a Deus o nosso culto. E que nossa vida seja culto; que nossa vida seja devoção. E que isso mude nosso pensar e nosso falar de tal modo que o nome dele, em nossos lábios, seja pronunciado com consideração e respeito, para o agrado dele. Pois a aliança requer que Deus seja honrado.
[3] Por fim, temos de enfrentar a cultura secular, que enfatiza que o tempo é nosso. Que sugere que nós criamos nossa própria realidade e definimos quem somos e o que fazemos na vida à parte de Deus.
Deus é Senhor da vida e do tempo. Deus é o dono. Ele não precisa solicitar um “encaixe” em nossa agenda.
Desde a Idade Média até a primeira metade do século XX, sob influência do Cristianismo, as cidades eram edificadas em torno da igreja.
O sino da igreja marcava o tempo e anunciava eventos e acontecimentos importantes.
O calendário cristão regulava ritmos, rotinas e até a dieta da família.
Os compromissos eram assumidos e organizados em torno do tempo de Deus. Como os cristãos entendiam o Domingo como ocasião para guardar o 4º mandamento, nos termos da nova aliança, este dia era separado como Dia do Senhor, dedicado ao descanso e ao culto.[16] Até as refeições dominicais eram preparadas no dia anterior e tudo convergia para a observância cuidadosa da instrução divina.[17]
Isso mudou radicalmente. Nós nos tornamos importantes e ocupados. Se antes a igreja estava cheia nos feriados de Páscoa e Natal, hoje as atividades pascais e natalinas são realizadas semanas antes, para que tenhamos tempo de nos dedicar a outras coisas nos feriados. É como se Deus tivesse de se ajustar a nosso tempo e compromissos.
Em Deuteronômio Moisés se levanta diante da nova geração e diz que Deus é o Senhor do tempo. Por isso mesmo, devemos submeter a ele nossa agenda. Ao submeter a ele nossa agenda, submeteremos, de fato, o nosso coração. Porque no fim das contas, a aliança requer que Deus seja honrado.
Vamos orar sobre isso.
Notas
[1] De acordo com Meredith Kline, “o Decálogo, não sendo em si simplesmente um código moral, mas o texto de uma aliança, exibe o padrão de tratado da seguinte forma: preâmbulo (v. 6a), prólogo histórico (v. 6b) e estipulações intercaladas com fórmulas de maldição e bênção (v. 7–21): ; cf. KLINE, M. G. Treaty of the Great King: the covenant structure of Deuteronomy: studies and commentary. Eugene, OR: Wipf & Stock, 2012, p. 63–64.
[2] ELWELL, W. A.; BEITZEL, B. J. “Ten Commandments, The”. In: ELWELL, W. A. (Org.). Baker Encyclopedia of the Bible. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988. Logos software.
[3] Cf. “Catecismo de Heidelberg, [CH] pergunta 93”. In: A BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. 3ª ed. [BEG3]. São Paulo: Barueri: Cultura Cristã; Sociedade Bíblica do Brasil, 2023, p. 2290. E ainda Benítez: “Estes dez são uma espécie de mínimo essencial e fundamental, de onde procederão todas as demais normas e regras contidas em Deuteronômio. Os mandamentos são variados em sua forma, alguns curtos, outros longos. Na tradição judaica, o primeiro mandamento está em 5.6–7, enquanto na tradição católica abarca 5.7–10 e depois se divide 5.21 em dois mandamentos. Na tradição reformada/protestante, não se considera 5.6 como na tradição católica; 5.7 é um mandamento e 5.8–10 é outro; 5.21 não é dividido. Em ambos os casos, a soma é dez”; cf. BENÍTEZ, M. A. “Deuteronômio”. In: PADILLA, C. R. et al. (Org.). Comentário bíblico latino-americano. São Paulo: Mundo Cristão, 2022, p. 224–225.
[4] Caso você queira aprender mais sobre cada mandamento, vale a pena conferir as explicações sobre eles nos escritos de Lutero e Calvino, no Catecismo de Heidelberg e nos Símbolos de fé (Breve Catecismo; Catecismo Maior e Confissão de Fé de Westminster). Uma exposição contemporânea deles aparece no livro excelente de Horton, cf. HORTON, M. A lei da perfeita liberdade: a ética bíblica a partir dos Dez Mandamentos. São Paulo: Cultura Cristã, 2000. Logos software. Outra exposição, mais modesta, mas não menos fiel, é oferecida em NASCIMENTO, Misael Batista do. Os primeiros passos do discípulo. 2ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2018, p.9-29.
[5] NEANDER, J.; GONÇALVES, A. C. “Hino 16 Louvor ao Deus soberano”. In: MARRA, Cláudio. (Org.). Novo cântico. 16ª ed. Reimp. 2017. São Paulo: Cultura Cristã, 2013. ePub.
[6] No livro Cristianismo à prova, de Rebecca McLaughlin, a autora afirma que “no mundo de Jesus, encontramos um tecido conjuntivo que liga as verdades da ciência com as da moralidade”; cf. MCLAUGHLIN, Rebecca. Cristianismo à prova. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2024, p. 324. Edição do Kindle. Gostei do uso da expressão no âmbito da Teologia.
[7] BENÍTEZ, op. cit., p. 224. Ele diz ainda (ibid., loc. cit.) que: “Não existe nenhuma intenção de maquiar nem de inventar outros inícios como nação diferente de “fomos escravos no Egito e Deus nos tirou dali” (cf. 1Sm 12.6; 2Cr 7.22; Ne 9.17-18; Sl 80.8-9; Is 11.16; Jr 23.7; Ez 20.6,9; Dn 9.15; Os 12.13; Am 2.10; Mq 6.4; Ag 2.5).”
[8] “CH, pergunta 95”. In: BEG3, p. 2291. Horton (op. cit., p. 34) expande e atualiza o conceito argumentando que: “Podemos ver em nossos próprios círculos cristãos traços dessa mudança de ideia de um Deus Soberano que revelou-se num tempo e espaço reais na História, para a noção de deidades locais que gerenciam os compartimentos separados de nossa vida, garantindo o sucesso e a felicidade em suas esferas respectivas. Isso é raramente declarado, mas frequentemente praticado: Deus está encarregado da área chamada ‘religião’, mas a própria vida é governada por um panteão de deidades: carreira, posses, ambição, autoestima, família, amigos, entretenimento, moda. Sempre que tomamos uma decisão de violar a vontade revelada de Deus em favor de uma dessas ‘deidades’, estamos colocando outros deuses diante do único e verdadeiro Deus vivo. Uma decisão de manipular algo só um pouco para obter aquele aumento ou de exagerar levemente o sucesso de uma pessoa para obter um contrato ou de debitar aquele vestido no cartão de crédito quando ele está acima de nossas posses – todos esses são atos particulares de idolatria, cada parte como modelos tão formais, crassos e primitivos de adoração como os que Israel experimentou, e nos quais ocasionalmente se engajou, enquanto estava no Egito.Sempre que compartimentalizamos nossa vida, os dons se tornam pesos e as ofertas da bênção de Deus se tornam demônios.”
[9] Para uma discussão sobre o problema desta empreitada, cf. NASCIMENTO, Misael Batista do. Guardem-se da idolatria: exposição de Deuteronômio 4.15-24. Disponível em:
[10] BENÍTEZ, M. A. Deuteronômio. In: PADILLA, C. R. et al. (Eds.). Comentário Bíblico Latino-Americano. Tradução: Cleiton Oliveira et al. 1. ed. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2022. p. 225.
[11] “Nome”. In: DAVIS, John. Novo dicionário da Bíblia: ampliado e atualizado. São Paulo: Hagnos, 2005. Logos software: “Conhecer o nome de Deus é dar testemunho da manifestação de seus atributos e compreender o caráter expresso por esses nomes, Êxodo 6.3; 1Reis 8.43; Salmos 91.14; Isaías 52.6; 64.2; Jeremias 16.21.”
[12] “CH, pergunta 99”. In: BEG3, p. 2291.
[13] O substantivo šǎb·bāṯ comunica a ideia de repouso ou parada.
[14] KLINE, op. cit., p. 63: “Êxodo 20.11 refere-se à exibição do padrão de consumação na criação como o modelo original do sábado; Deuteronômio 5.15 refere-se à sua manifestação na redenção, onde o triunfo divino é tal que leva também os eleitos de Deus ao seu descanso.”
[15] KLINE, op. cit., p. 64.
[16] O catecismo maior argumenta que o sétimo dia foi guardado “desde o princípio do mundo até a ressurreição de Cristo”, e “o primeiro dia da semana desde então até o dia de hoje, e há de assim continuar até o fim dos tempos; o qual é o sábado cristão e que, no Novo Testamento, é chamado de O Dia do Senhor (domingo)”; cf. ASSEMBLEIA DE WESTMINSTER. “Catecismo maior de Westminster, pergunta 116”. In: BEG3, p. 2340.
[17] O breve catecismo orienta sobre isso: “De que modo se deve santificar o domingo? Deve-se santificar o domingo com um santo repouso por todo esse dia, mesmo das ocupações e recreações temporais que são permitidas nos outros dias, empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, exceto o tempo suficiente para as obras de pura necessidade e misericórdia”; cf. ASSEMBLEIA DE WESTMINSTER. “Breve catecismo de Westminster, pergunta 60”. In: BEG3, p. 2356.