Uma família de discípulos de Jesus
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Tudo vem de Deus [Dt. 6.10-15]

10 Havendo-te, pois, o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; 11 e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste; e, quando comeres e te fartares, 12 guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. 13 O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás. 14 Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti, 15 porque o SENHOR, teu Deus, é Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do SENHOR, teu Deus, se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra. Deuteronômio 6.10-15.

Sermão do Pastor Misael Batista do Nascimento. Pregado na Igreja Presbiteriana de São José do Rio Preto, no culto da noite, com Ceia do Senhor, em 10/05/2026.

Introdução

No hino “Vivificação”, o poeta H. M. Wright menciona gente que começou bem a vida com Deus, mas depois se afastou ou perdeu o ânimo: “Quantos que corriam bem, de ti longe agora vão! Outros seguem, mas, também, sem fervor vivendo

estão”.1 Às vezes isso acontece por conta de ressentimento ou frustração, quando se é machucado em alguma circunstância, na igreja. Ou por confusão doutrinária, quando se é levado por ensino deficiente ou mal-intencionado. Ou em resposta a um escândalo, quando o rebanho é espalhado por má conduta da liderança. Mas também pode ocorrer simplesmente quando se chega a um ponto da vida confortável e, afetado por comodidade, passa-se a considerar Deus e a religião desimportantes. Dedica-se menos ao culto divino que depois é abandonado. Daí são apagadas, gradativamente, as crenças, os valores, a agenda e as práticas da fé. Você já viu isso acontecendo com alguém?

Quando abrimos Deuteronômio 6 na última vez, olhamos para os v. 6-9, afirmando que Moisés chama Israel para uma fé dentro de casa, ancorada nas palavras de Deus gravadas no coração, ensinadas na vida comum, identificadoras e protetoras. Agora Moisés prossegue assegurando que a manutenção desta fé requer algo mais. Ele pronuncia estas palavras para a nova geração de Israel que está prestes a conquistar a Terra Prometida. É necessário alertá-la e responsabilizá-la. “O fato de a antiga promessa estar tão perto de ser cumprida causava não somente alegria, mas também seriedade diante da responsabilidade que a promessa impunha”.2

1 WRIGHT, H. M. “Hino 132 Vivificação”. In: MARRA, Cláudio. (Org.). Novo cântico. 16ª ed. Reimp. 2017. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 104.

2 CRAIGIE, P. C. Deuteronômio. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 169 (Comentários do Antigo Testamento).

Moisés levanta as questões: “O que vocês farão depois da conquista? Como lidarão com o sucesso? Como funcionarão como povo da aliança, nos tempos de conforto?” Elas são relevantes porque “na hora da prosperidade, ou em ocasiões em que tudo vai bem, os homens esquecem a Deus e podem até mesmo abandonar sua lealdade ao SENHOR”.3

De acordo com a passagem, para permanecer fiel à aliança em todo tempo Israel precisa, primeiramente, considerar cada conquista como dádiva (v. 10-11). Além disso, compreender que as dádivas derivam da redenção de Deus (v. 12) e, por fim, expressar gratidão a Deus renovando culto e serviço (v. 13-15).

Sendo assim, não descuidemos de, em primeiro lugar…

Considerar cada conquista como dádiva

É o que pode ser depreendido dos v. 10-11:

10 Havendo-te, pois, o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; 11 e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste;

3 THOMPSON, J. A. Deuteronômio: Introdução e comentário. Reimp. 2017. São Paulo: Vida Nova, 1982, p. 120 (Série cultura bíblica)

vinhais e olivais, que não plantaste; e, quando comeres e te fartares.

Moisés descreve o que virá. Canaã será conquistada e os israelitas tomarão posse de cidades e casas, poços, vinhais e olivais. Isso, sem dúvida, é muito bom; as expectativas da nova geração serão realizadas.

No entanto, sublinha-se, no v. 10, que eles acessarão “grandes e boas cidades, que tu não edificaste”. E no v. 11, “casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste”. Israel receberá coisas muito boas sem tê-las edificado, cultivado ou produzido.4

Por isso mesmo o discernimento espiritual de Israel precisa ser apurado e seu orgulho, contido. Suas conquistas não devem conduzir a soberba ou senso infantil de autossuficiência. “Os hebreus podem facilmente ser levados a pensar que adquiriram essas coisas por conta própria. O orgulho e a autossuficiência facilmente se infiltrarão”.5 A

4 Isso será assim em decorrência da aplicação da sentença ḥērem (de destruição imposta por juízo divino) sobre as populações conquistadas, preservando-se as “estruturas físicas das cidades, casas, cisternas e outras instalações cananeias”; cf. MERRILL, Eugene H. Deuteronômio. São Paulo: Vida Nova, 2025, P. 186-187 (Comentário exegético).

5 CURRID, J. D. A study commentary on Deuteronomy. Darlington, England; Webster, New York: Evangelical Press, 2006, p. 169.

prosperidade pode ensejar amnésia de Deus.6 Israel deve ter em mente que “foi o SENHOR quem fez essas coisas: foi ele quem jurou aos patriarcas que lhes daria a terra; foi ele quem tirou os hebreus da terra do Egito; é ele quem os está levando para Canaã”.7

O recurso divino para coibir isso é, depois de olhar para os lados, elencando o que foi obtido e do que se pode agora desfrutar, olhar para o alto, para Deus, identificando-o como fonte de tudo, nos termos de Tiago 1.17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

O inconverso bate no peito e declara “eu realizei”. O crente levanta as mãos e afirma “Deus me deu”. Se quisermos permanecer fiéis a Deus em todo tempo, livres de toda e qualquer petulância, é imprescindível considerar cada conquista como dádiva.

Mas não apenas isso, pois…

Em segundo lugar, a manutenção da fidelidade a Deus requer a admissão do óbvio todos os dias, qual seja…

6 Cf. CRAIGIE, op. cit., p. 170: “Na terra, as próprias riquezas e excelências poderiam levar o povo a uma atitude de esquecimento que seria desastrosa”.

7 CURRID, op. cit., loc. cit.

Compreender que as dádivas derivam da redenção de Deus

Pois Moisés afirma, no v. 12, “guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”.

No fim do v. 11, encontramos Israel satisfeito: “quando comeres e te fartares”. O início do v. 12 introduz o corte radical, “guarda-te”, traduzindo o mesmo verbo usado por Deus no pacto das obras, em Gênesis 2.15 (šmr; “esteja prevenido”; “tome cuidado”). Em outras palavras, “assuma seu lugar como vice-gerente de Deus”; “funcione como mordomo” ou “agente pactual”.8 A ideia aqui é de tomar todo cuidado do mundo para não se esquecer — uma ênfase deuteronômica (Dt 4.9,10,23). E o objeto da lembrança deve ser Deus como redentor. Israel não pode perder de vista o “SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão”.

A soberba é quebrada pelo lembrete da escravidão antes da interposição salvífica de Deus (cf. Dt 4.20,34,37; 5.6,15,20-23). A redenção divina precede qualquer conquista humana. A tomada de Canaã é possível por causa do pacto da graça, firmado com Abraão e atualizado em Isaque e Jacó (v. 10; cf.

8 McConville acerta ao sugerir que a vida em Canaã tinha de ser cuidada e desenvolvida “pelos seus moradores”; cf. MCCONVILLE, Gordon. “Deuteronômio”. In: CARSON, D. A.; FRANCE, R. T.; MOTYER,

J. A.; WENHAM, G. F. (Org.). Comentário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 319.

Gn 12.1-3,7; 15.5-8,18; 17.1-8). Deus redimiu. Deus quebrou o jugo de escravidão. É fundamental compreender que as dádivas derivam da redenção de Deus.

Finalmente, em terceiro lugar, Israel tem de…

Expressar gratidão a Deus renovando culto e serviço

Confiramos isso nos v. 13-15:

13 O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás. 14 Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti, 15 porque o SENHOR, teu Deus, é Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do SENHOR, teu Deus, se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra.

Craigie sugere uma ligação entre os v. 12-13, como segue:

Sirvam (ta’aḇoḏ) contrasta com a casa da servidão (‘aḇāḏîm); ambas as palavras são derivadas da mesma raiz e fazem vívido contraste entre o antigo e o novo senhor de Israel. O Faraó (que era considerado um deus na religião egípcia) tinha sido, por muito tempo, o senhor suserano dos israelitas em um sentido literal e terreno. No êxodo, o Senhor quebrou as antigas amarras que ligavam seu povo ao Egito, adquirindo o direito de chamá-los de seus

próprios vassalos. Uma vez que a base de sua nacionalidade, na nova terra, era estabelecida no poder do seu Deus, os israelitas não podiam esquecer de sua libertação.9

É preciso continuar temendo e servindo a Deus, como explicam Keil e Delitzsch: “‘Temer’ é uma questão do coração; ‘servir’, uma questão de trabalho e esforço; e ‘jurar pelo seu nome’, a manifestação prática da adoração a Deus em palavras e conversas”.10

A linguagem de Moisés evoca compromisso renovado com continuidade do culto ao Senhor.

Quando Deus der a terra, então só ele terá de ser adorado naquela terra; Israel será o povo de Deus na terra de Deus. Fazer juramentos no nome dele (ao invés de jurar em nome de outros deuses) é uma maneira de expressar seu direito único à lealdade dos israelitas.11

9 CRAIGIE, op. cit., p. 170.

10 KEIL, C. F.; DELITZSCH, F. Commentary on the Old Testament. Peabody, MA: Hendrickson, 1996, v. 1, p. 886.

11 MCCONVILLE, op. cit., p. 319. A Bíblia herança reformada esclarece ainda que “Jurar pelo nome de Deus torna Deus fiador de nossa fidelidade. Isso não é tomar o seu nome em vão (5.11), a não ser que as palavras sejam falsas ou sem sentido, o que Cristo reprovou (Mt 5.34-36; 23.16-22)”; cf. BÍBLIA DE ESTUDO HERANÇA REFORMADA

(BEHR). 2ª ed. Barueri; São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil; Cultura Cristã, 2024, p. 254.

Este v. 13 é tão importante para a preservação da fidelidade a Deus, que o Senhor Jesus faz uso dele para vencer a última tentação.

8 Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles 9 e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. 10 Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. 11 Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram (Mt 4.8-11).

Os v. 14-15 retomam os dois primeiros mandamentos (Dt 5.7-10).12 Israel é liberto para cultuar a Deus (Êx 8.27). É preciso resistir aos apelos da idolatria: “Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti” (v. 14). A idolatria toma lugar quando o culto devido a Deus é negligenciado e, quando ela assume o controle, o povo de Deus é destruído: “porque o SENHOR, teu Deus, é Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do SENHOR, teu Deus, se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra” (v. 15). Como tem sido dito desde Deuteronômio 4.25-28, a aliança impõe responsabilidades e consequências.

O zelo de Deus “é a determinação que ele tem de não permitir rivais, o que tem, é claro, sua contrapartida no compromisso total dele com o relacionamento com seu povo”.13 A frase escrita por Stan Lee, “com grandes poderes

12 MERRILL, op. cit., p. 189.

13 MCCONVILLE, op. cit., p. 319.

vêm grandes responsabilidades”,14 nada mais é do que o eco desta verdade de Deuteronômio 6.15: “com privilégios sempre vem a responsabilidade”.15 Essa assertiva coroa o chamado ao amor dos v. 4-5, como pondera Macdonald:

A obediência à lei não era, acima de tudo, um modo de obter o favor do Senhor, mas, sim, uma forma de demonstrar amor por ele. O amor bíblico não consiste numa sentimentalidade apaixonada; antes, trata-se de um padrão deliberado de conformidade à vontade revelada de Deus. Amor não é uma opção, mas uma condição para o bem-estar. Se os israelitas rompessem a aliança em

14 Esta frase foi mencionada como narração final de Amazing Fantasy nº 15, de 1962, depois atribuída ao Tio Ben, aconselhando Peter Parker, no Universo Homem-Aranha; cf. “Com grande poder vem grande responsabilidade”. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: . Acesso em: 13 mai. 2026.

15 WIERSBE, Warren W. Be equipped. 2ª ed. Colorado Springs: Cook Communications Ministries, 2010, Bible study by Olive Tree. Cf.

THOMPSON, op. cit., p. 121: “Negligenciar deliberadamente ao Senhor era equivalente a um desafio ao grande e soberano Senhor de toda a vida. No terreno secular um vassalo rebelde era castigado por seu suserano. No terreno em que o Senhor reinava, ‘maldições’ sobrevinham àquele que quebrava a aliança. O Senhor, que era um Deus zeloso […] visitaria seu povo em juízo. A presença do Senhor entre seu povo era um estímulo à boa conduta e oferecia um forte incentivo a que Israel andasse em seus caminhos.”

resultado de desobediência, o zelo de Deus por sua glória os destruiria.16

Em suma, Israel foi resgatado do Egito e conquistará Canaã, a fim de servir a Deus de coração e por toda a vida. O ponto abordado por Moisés é solene, pois dele depende a sobrevivência do povo da aliança. “Pecar dessa maneira a ponto de esquecer-se da fonte de bênção de Israel significava convidar à maldição suprema da aliança, isto é, a remoção da terra”.17 Após estabelecer-se em Canaã, Israel precisa expressar gratidão a Deus renovando culto e serviço.

Uma vez que chegamos aqui, podemos começar a concluir…

Conclusão

Recapitulando, Israel não pode deixar de [1] considerar cada conquista como dádiva, [2] compreender que as dádivas derivam da redenção de Deus e [3] expressar gratidão a Deus renovando culto e serviço.

Sem dúvida é bom batalhar para ser autossuficiente e independente, no sentido de não ser pesado a ninguém e responsabilizar-se pelo próprio fardo, como diz Paulo em2Coríntios 8.9 e Gálatas 6.5. O problema aparece quando

16 MACDONALD, W. Comentário bíblico popular: Antigo Testamento. 2ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011, p. 139.

17 MERRILL, op. cit., p. 189.

surge a ingratidão que nos afasta de Deus e nos aproxima da idolatria.

Essa passagem resiste ao darwinismo social, a ideia de que o sucesso é conquistado somente pelos mais aptos e, portanto, nesta vida, nós desfrutamos somente do que é devido a nós, derivado de nossos esforços. O darwinismo social não combina com a verdade da Bíblia que podemos conferir em Jó, Eclesiastes, Salmos 37.1; 73.3-12 e aqui, em Deuteronômio 6.10-15.

A Escritura revela que muito do que desfrutamos nesta vida não é obtido por nossa capacidade e esforço. Pelo contrário, em uma quantidade absurda de coisas, nós somos beneficiados pela generosidade, genialidade, sofrimento e realizações de outros.

A fé bíblica nos informa e ao mesmo motiva a darmos graças a Deus, que supre nossas necessidades por meio da vida e trabalho de outras pessoas.

Além disso, a passagem confronta não apenas o orgulho de Israel, mas também o nosso, pois somos propensos a publicar que lutamos e realizamos, atribuindo as conquistas à nossa força, capacidade ou inteligência. Podemos até disfarçar o orgulho com linguagem religiosa, atribuindo as realizações à nossa fé. E sem dúvida, nada pode ser feito sem fé em Deus e em suas promessas. A maioria das coisas não avança sem disposição, esforço, trabalho e luta. Mas será que prestamos a devida atenção no que consta em Salmos 104.27-29?

Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo.

Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. 29 Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó.

E ainda, em Salmos 24.1? “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam”.

O ar que respiramos é dádiva de Deus. Até o chão que pisamos pertence a ele. É o Senhor quem nos dá condições para levantar da cama a cada dia, ânimo e inteligência. Ele opera livramentos e abre oportunidades. Retornando a Salmos 104.28, Deus “abre sua mão” e nos “farta de bens”.

Aproveitemos a ocasião para pedir a Deus que nos perdoe por nossa soberba, e nos livre dela.

Ainda de acordo com Deuteronômio, saibamos que o antídoto contra o veneno da secularização, abandono de Deus e idolatria é repassar/atualizar a redenção.

Deus redimindo Israel do cativeiro do Egito antecipa a salvação oferecida por Jesus Cristo, que liberta da escravidão do pecado. Todos os dias, nós também precisamos nos lembrar de quem éramos sem Jesus e do quanto carecemos de sua graça. Um poeta descreve a experiência, do seguinte modo:

Eu, perdido pecador, longe do meu Jesus

Me encontrava, sem vigor, a perecer sem luz. Meu estado Cristo viu, dando-me sua mão,

E salvar-me conseguiu da perdição.

Cristo me amou e me livrou!

O seu imenso amor me transformou! Foi seu poder, o seu querer!

Sim, Cristo, o Salvador, me transformou!18

A salvação recebida conduz à consagração e testemunho:

Minha vida, todo o ser, quero lhe consagrar! Ao seu lado vou viver, o seu amor cantar.

A mensagem transmitir aos que perdidos são! Venham todos já fruir a salvação!19

Creiamos em Jesus, único e suficiente redentor. Experimentemos seu perdão, libertação e transformação. E prossigamos com ele nesta vida, louvando e testemunhando de sua graça, poder e amor.

Finalmente, entendamos que a prosperidade c conforto podem nos conduzir ao esquecimento de Deus. “A prosperidade material, conforme mostra a sociedade ocidental, pode sempre conduzir à indiferença espiritual”.20 Os materialistas argumentaram sobre isso. No mundo moderno o homem alcança conforto. Tem suas necessidades básicas supridas. Alonga a vida. Vence doenças. Pensa, planeja e realiza. Chega à “maturidade”. Não precisa mais das Religião. Nesta passagem, Moisés alerta sobre esse perigo.

18 ROWE, J.; GINSBURG, S. L. “Hino 336 Transformação”. In: MARRA,

op. cit., p. 263-264.

19 Ibid., p. 264.

20 MCCONVILLE, op. cit., p. 319.

Para não cairmos nesta armadilha, temos de expressar gratidão a Deus renovando culto e serviço. Isso implica admitir que não vivemos para nós mesmos e sim, para o Senhor.

Renovemos o culto temendo, servindo e assumindo compromissos perante Deus, para glória dele. Não abandonemos a adoração. Deixemos para trás toda idolatria (do dinheiro, do status, do prazer, da imagem, da carreira, de aprovação ou de conforto).

Pode ser que não tenhamos tudo o que desejamos. Mesmo assim, podemos reconhecer que recebemos muitas coisas boas sem merecer (salvação, sustento, família, igreja, misericórdia renovada).

Se Israel se esquecesse do Senhor, perderia tudo o que pensava possuir. Sendo assim, enquanto estamos vivos, lembremo-nos sempre de que o pão vem de Deus, a força vem de Deus, a esperança vem de Deus e a salvação vem de Deus. Tudo, absolutamente tudo vem de Deus.

Vamos orar sobre isso.