Como é difícil abandonar aquela roupa favorita. Às vezes ela já está gasta, surrada, velha, a gola cedeu, a estampa desbotou , mas mesmo assim insistimos em vesti-la. Há um apego curioso ao que é familiar, ao que nos faz bem, mesmo quando aquela peça já deveria ter sido descartada há tempos.
Paulo conhecia bem essa teimosia. Aos efésios escreveu que fomos instruídos “quanto ao trato passado, [a despir-vos] do velho homem […] e a vos revestirdes do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.22,24). No grego, são verbos do vestuário: tirar uma roupa, vestir outra.
Cristo já comprou o guarda-roupa novo na cruz, sob medida, com o seu nome bordado. Mas a santificação tem dois movimentos, não basta tirar o velho, é preciso vestir o novo. Tiramos a mentira e vestimos a verdade; tiramos a amargura e vestimos o perdão; tiramos a palavra torpe e vestimos a que edifica (Ef 4.25,29,32).
Amados, abram hoje as portas do armário interior. Que peça velha o Senhor pede para sair? E qual peça nova, comprada com o sangue de Cristo, está pendurada esperando você estrear?
Abner Santana