Uma família de discípulos de Jesus
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O rei Jesus [Jo. 12.12-16]

12 No dia seguinte, a numerosa multidão que viera à festa, tendo ouvido que Jesus estava de caminho para Jerusalém, 13 tomou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, clamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel! 14 E Jesus, tendo conseguido um jumentinho, montou-o, segundo está escrito: 15 Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta. 16 Seus discípulos a princípio não compreenderam isto; quando, porém, Jesus foi glorificado, então, eles se lembraram de que estas coisas estavam escritas a respeito dele e também de que isso lhe fizeram. João 12.12-16.

Meditação do Rev. Robson. Proferida na Igreja Presbiteriana de São José do Rio Preto, no culto da noite (cantata infantil de Páscoa), em 29/03/2026.

Introdução

Em meio a tantos eventos que marcam o início de um novo ano — questões geopolíticas, eleições, Copa do Mundo, reunião do Supremo Concílio da nossa denominação —, chegamos a um momento que é o mais importante do calendário cristão: a Semana Santa. E um dos grandes ataques que a fé enfrenta nesse período é a banalização desse tempo, muitas vezes reduzido a um apelo comercial que desvia os olhos da relevância do que celebramos.

Neste Domingo de Ramos, o texto de João 12.12-16 nos apresenta três realidades acerca do rei Jesus: [1] o rei Jesus foi aclamado, [2] o rei Jesus cumpriu o que estava escrito e [3] o rei Jesus foi glorificado — e isso transforma vidas.

I. O rei Jesus foi aclamado

O contexto deste episódio é significativo. Jesus estava na região de Betânia, junto a Lázaro, a quem havia ressuscitado dentre os mortos. Aquele grande milagre fez a fama de Jesus crescer enormemente. Agora, dirigindo-se para Jerusalém às vésperas da Páscoa — a festa que celebrava a libertação da escravidão do Egito —, a multidão vai ao seu encontro tomada de expectativa.

As pessoas esperavam o cumprimento da promessa messiânica: a chegada do grande rei, prefigurado no reino de Davi. E toda essa expectativa se manifesta numa euforia que encontra expressão nas palavras registradas no v. 13:

Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel! (v. 13b).

A expressão “Hosana” é uma derivação do verbo “salvar”. O povo agitava ramos de palmeiras como manifestação de alegria e sentimento de vitória. Com essas palavras, a multidão aclamava Jesus como o Rei esperado, aquele que traria salvação e renovação. Essas palavras, aliás, ecoam o Salmo 118.25-26: “Salva-nos, Senhor, nós te pedimos. Bendito o que vem em nome do Senhor“.

II. O rei Jesus cumpriu o que estava escrito

Nos v. 14-15, encontramos um detalhe revelador:

E Jesus, tendo conseguido um jumentinho, montou-o, segundo está escrito: Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta (v. 14-15).

Tudo o que ali acontecia estava em conformidade com o que o profeta Zacarias havia anunciado muito tempo antes: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta” (Zc 9.9).

Esse cumprimento profético indica um reino diferente daquilo que o povo esperava. A multidão ansiava por um líder político e militar nos moldes de Davi, mas o texto revela um rei justo, salvador e humilde. A entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumentinho não foi acidental — foi o cumprimento preciso da Palavra de Deus.

III. O rei Jesus foi glorificado — e isso transforma vidas

O v. 16 traz uma observação importante:

Seus discípulos a princípio não compreenderam isto; quando, porém, Jesus foi glorificado, então, eles se lembraram de que estas coisas estavam escritas a respeito dele e também de que isso lhe fizeram (v. 16).

Os acontecimentos daquela semana pareciam desconcertantes para os discípulos. A mesma multidão que clamava “Hosana!” era a que, poucos dias depois, gritaria “Crucifica-o!”. O Senhor Jesus cumpriu o propósito do Pai: foi esmagado, humilhado e morto em seu estado de humilhação.

Mas ele ressuscitou. E quando Jesus foi glorificado, tudo se esclareceu. Os discípulos lembraram que aquelas coisas estavam escritas e que se cumpriram nele. A glorificação de Jesus transforma a compreensão e a vida dos seus seguidores.

Conclusão

Neste Domingo de Ramos, o Evangelho de João nos mostra que [1] o rei Jesus foi aclamado pelo povo que ansiava por salvação, [2] o rei Jesus cumpriu fielmente tudo o que estava escrito nas Escrituras e [3] o rei Jesus foi glorificado — e a sua glorificação transforma vidas.

Jesus cumpre seus ofícios de modo perfeito. Como profeta, tudo o que ele faz estava anunciado na Palavra de Deus. Como sacerdote, ele oferece o sacrifício pelo perdão dos pecados — sendo ele mesmo o sacrifício perfeito e suficiente. Como rei, ele morreu, ressuscitou e foi glorificado; o seu reino é eterno.

Ele é digno de ser aclamado e adorado. Ele cumpre a sua Palavra e transforma vidas. Que nesta Páscoa o Senhor Jesus não seja para nós apenas uma data no calendário, mas a oportunidade verdadeira de adorar a Deus e renovar nosso compromisso com ele.

Lembramos neste domingo a primeira palavra da cruz, na qual o próprio Senhor Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Tudo o que Jesus cumpriu em sua obra foi para que tivéssemos perdão, reconciliação e o privilégio de desfrutar da presença do nosso Deus.