Uma igreja saudável

Todos nós queremos fazer parte de uma igreja saudável, viva e forte. E é assim que Deus deseja que sejamos. Quais os sinais de uma igreja saudável, viva, pujante? Seria uma igreja abarrotada de pessoas aos domingos? Seria uma igreja com dezenas de ministérios ativos? Seria uma igreja com um bom marketing pessoal, onde as pessoas se sentem bem? Não!

O que a Bíblia diz? Para sabermos o que é uma igreja saudável, primeiro, precisamos saber o que não é uma igreja saudável e viva. Além dos sinais citados acima, existem outros importantes sinais que, por mais que pareçam, não indicam uma igreja biblicamente saudável.

Uma igreja “apenas” de oração não demonstra saúde. Para muitos, a igreja precisa ser uma geração que busca ao Senhor em oração, em jejum, e em manifestações de cura e sinais. Vemos no povo do Antigo Testamento (Is 1) e na igreja de Corinto que isso não é sinal de igreja saudável. O problema aqui é o simplismo e a inconsistência doutrinária. É claro que o evangelho não é mero discurso erudito ou um conjunto de dogmas teóricos, e sim “poder de Deus” (Rm 1.17; 1Co 2.4-5). Sem dúvida, precisamos de uma vida devocional profunda, da busca e direção diária do Espírito Santo. Mas tudo isso deve acontecer sob o entendimento profundo da Bíblia. A saúde de uma igreja se dá em conjunto com outros fatores também bíblicos e importantes.

Uma igreja eficiente e com ministérios bem regulamentados não sinaliza saúde. Obviamente eficiência e regulamentação são necessários, pois devemos fazer tudo com ordem e decência. O perigo disso é quando o apego excessivo aos costumes e rigores em defesa da eficiência (um bom ministério, muitas pessoas) faz com que se perca a eficácia de fazer as coisas de forma mais simples, prática e produtiva.

Uma igreja exageradamente dependente de seu pastor não é saudável. Muitos afirmam que a solução dos problemas de um igreja está na participação direta dos pastores nas atividades. O pastor precisa cuidar do rebanho e não dar assistencialismo pastoral (Ez 38.1-6; At 20.28-31; Ef 4.11-16).

Pastores e presbíteros são bispos, ou seja, supervisores. Cuidar do rebanho é acompanhar a vida espiritual da igreja e o cumprimento da sua missão. Como? Saber como cada ministério e pessoa estão trabalhando, detectar falhas e corrigi-las, capacitar e aperfeiçoar os santos para o serviço. Isso é assistência pastoral e não assistencialismo.

É preciso entender a crucial diferença entre a bíblica assistência e o danoso assistencialismo. Este último torna os crentes imaturos, dependentes do pastor e não de Deus. Quando o pastor não está mais lá, a fé, a comunhão, o compromisso com a igreja e o amor à obra também somem. Esquecer o sacerdócio universal não é saudável.

Orar, servir, trabalhar, pregar a Bíblia, administrar bem os sacramentos, aplicar a disciplina corretamente, adorar, compartilhar o evangelho, ajustar os problemas é o que uma igreja saudável e viva faz, pois ela é um organismo vivo e não um sistema que permanece no pico máximo de energia e desempenho. Isso deve nos levar a depender de Deus, a aperfeiçoar sem medo os processos e a pastorear segundo o sacerdócio universal dos santos. Portanto, uma igreja saudável é protegida dos falsos ensinos e práticas, é incentivada a servir a Deus (Sl 100.1,2; Jo 15.16), tem Deus como centro e não o pastor (Lc 10.1-20; Ef 4.12; Hb 13.7,17,24), e caminha em unidade e maturidade, crescendo em amor (Ef 4.11-16).

Rev. Renato. Publicado no Boletim 128, de 10/06/2012. Adaptação do texto “Liderança, fé, saúde e crescimento”.

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